Há tanto tempo que andava a querer participar numa prova de trail que quando vi um evento mesmo aqui do outro lado da serra, em Bucelas (1.º Trail Run Bucelas), não pensei duas vezes e inscrevi-me. Na distância maior, claro. À Homem!
Claro que há muito tempo que incluo treinos em terra batida, mas não passa disso mesmo, de terra batida. Num trail espera-se outro tipo de terreno. Também treino em passeios e estradas de cidade, logo já estou treinado para me desviar de buracos e caca de cão. Pode não parecer mas ajuda...
Na véspera caíram umas chuvadas que enlamearam os trilhos, essa foi a maior dificuldade. Os trilhos estavam mais escorregadios e os ténis o dobro mais pesados.
O início da prova foi em alcatrão, a subir, para separar o trigo do joio. Mas nestas provas do trail não há joio, há homens (e mulheres) corajosos dispostos a superar os seus próprios limites. Talvez inspirados no Ulrich, pensam: se o Carlos Sá aguenta nós também aguentamos! "Ai aguenta, aguenta"...
Se, na estrada, toda a gente corre mais que eu a descer, no trail, sou mais competitivo (!). Aguentei-me bem, só sendo ultrapassado por duas senhoras que mais tarde vi que ficaram em segundo e terceiro lugar. Nos primeiros quilómetros eu passava-as nas subidas e elas passavam-me nas descidas. Até que nunca mais as vi...
Até aos 12 quilómetros foi um sobe e desce constante por entre estradões e carreiros de cabras (acho que também lhe chamam single-tracks) que conheço bem dos treinos de BTT, onde não faltou o trilho da cascata de Bucelas.
Depois da separação dos percursos começámos logo por lavar os pés. Hesitei se deveria tirar os ténis, podia aleijar-me em algum vidro ou pedra mais afiada. Como não têm GORE-TEX, vão secar. E assim foi, calçado.
Segui-se uma longa subida até perto da central eléctrica de Fanhões. Na descida aproveitei para recuperar algum tempo, a um ritmo inferior a 5min/km. Mas sem exageros, pois estava muito escorregadio e ainda faltava a subida até perto de Santa Eulália. Nesta altura sentia-me bem, pois descansei na subida...
Parei no abastecimento, parei em todos, para comer uma fruta e um resto do gel para me dar energia para a grande subida que faltava. Mais uma vez a lama estava a estragar a festa, foi pena.
O percurso foi espectacular, apesar da lama, não ouvi ninguém a queixar-se das condições do piso nem das duras subidas. Estávamos lá para isso.
A descida final já foi muito cautelosa, estava perto de concluir o meu primeiro trail. Um trail de categoria difícil com mais de 800m de altimetria e mais de 23 km.
Na chegada estava praticamente exausto, acho que não tinha forças para pegar um porco pelo rabo! Sim, um porco, porque para um gato ainda tinha...
Depois dos alongamentos, notava que tinha um andar estranho... Estranho, este nosso corpo. Durante a prova não senti qualquer dor e 10 minutos depois de terminar parece que nem sabia andar. Uma tarde de repouso foi suficiente para a recuperação. Nos dois dias a seguir à prova ainda andava com umas dorezitas e já estou pronto para outro.
A boa notícia chegou à noitinha, consegui o objetivo de ficar classificado do meio da tabela para cima. Fiquei no lugar 119 entre 249 participantes masculinos, com o tempo oficial de 2h33m55s. No setor feminino, participaram, na distância longa, 31 elementos.
Dos relatos que já vi, toda a gente publicou uma foto com as suas sapatilhas envolvidas numa película (grossa ou com várias camadas) de lama. Confesso que deixei escapar a oportunidade, mas tratei logo que foi possível de lhe devolver as cores originais. Para elas foi também a estreia num trail, só tinha feito dois treinos de habituação em terra batida.
O relato do blog "Nem 80 Nem 8" tem um conjunto de fotos que retratam algumas partes do percurso. E não falta, claro, a foto da praxe... E uma perspectiva no feminino.
Experimentem o trail, as dores passam em dois dias. Se treinarem talvez nem as sintam.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Grande Prémio "Fim da Europa"
Diz-se "Dificilmente haverá prova mais bonita", confirmo. Com o tempo farrusco e depois de uns dias de tempestade que abalou a paisagem da serra de Sintra, a beleza natural estava lá. Um cenário fantástico para uma corrida de montanha, cujas inscrições esgotaram muito cedo, com partida do centro histórico de Sintra (Fonte Mourisca) e chegada no ponto mais ocidental do continente europeu, o Cabo da Roca.
Foram cerca de 17 quilómetros, primeiro pelas verdejantes paisagens do interior da serra de Sintra e depois com o oceano atlântico, e os vários percursos pedestres, no horizonte.
A ida para Sintra foi debaixo de chuva, levando-me a pensar se iria correr de impermeável. O meu impermeável é mais corta-vento que outra coisa, decidi correr de jersey. Quando cheguei a Sintra, depois do café (doping bom!), a chuva parou. Ótimo, enquanto eu iria correr o pessoal cá de casa foi passear de "tuu-tuu" pela vila de Sintra. O pequeno S. adorou...
Os primeiros quilómetros marcam esta corrida, fica o conselho a quem me quiser acompanhar para o ano. Fiz os primeiros 1000 metros a um ritmo confortável de 5min/km, assustei-me com a mensagem do Endomondo. Abrandei para 6min/km no segundo e arrastei-me no terceiro quilómetro. O terceiro quilómetro é tudo o que não se deseja numa corrida. Tudo não, só uma coisa: a inclinação. A paisagem é fantástica, verde, refrescante, parece retirada de um episódio do National Geographic.
Neste terceiro quilómetro percebi que o objetivo que tinha para a corrida não era possível. O Endomondo piorava as coisas atribuindo-me 7min30s. Mais tarde confirmei que não foi bem assim, o GPS não registou corretamente o percurso devido às apertadas curvas da estrada.
A prova é bastante acessível, se retirar-mos os três quilómetros iniciais e uma subida por volta dos 10 quilómetros. A certeza que os quilómetros finais são a descer dá-nos o conforto para enfrentar as subidas que vão surgindo.
Nos quilómetros de descida não consegui o ritmo desejado, talvez por, psicologicamente, saber que não iria conseguir o tempo objetivo. O ritmo de descida andou a cerca de 4m30s/km.
Terminei a prova com 1h29m26s (tempo oficial), cerca de dez minutos acima do objetivo... Em termos classificativos, fiquei no lugar 380 em 898 participantes. Acima do meio da tabela como eu gosto...
Depois de uma bebida de recuperação, da Gold Nutrition (oferecida pela organização), e de uma banana, só sobrou tempo de fazer os alongamentos e entrar no autocarro que me levaria até à Azóia para reunir a claque de apoio...
Pelo entusiasmo dos atletas nesta prova, penso que a organização (Câmara Municipal de Sintra) irá fazer um esforço para pôr a crise de lado e continuar a proporcionar-nos uma excelente manhã pelas estradas da serra de Sintra e do Cabo da Roca.
Foram cerca de 17 quilómetros, primeiro pelas verdejantes paisagens do interior da serra de Sintra e depois com o oceano atlântico, e os vários percursos pedestres, no horizonte.
A ida para Sintra foi debaixo de chuva, levando-me a pensar se iria correr de impermeável. O meu impermeável é mais corta-vento que outra coisa, decidi correr de jersey. Quando cheguei a Sintra, depois do café (doping bom!), a chuva parou. Ótimo, enquanto eu iria correr o pessoal cá de casa foi passear de "tuu-tuu" pela vila de Sintra. O pequeno S. adorou...
Os primeiros quilómetros marcam esta corrida, fica o conselho a quem me quiser acompanhar para o ano. Fiz os primeiros 1000 metros a um ritmo confortável de 5min/km, assustei-me com a mensagem do Endomondo. Abrandei para 6min/km no segundo e arrastei-me no terceiro quilómetro. O terceiro quilómetro é tudo o que não se deseja numa corrida. Tudo não, só uma coisa: a inclinação. A paisagem é fantástica, verde, refrescante, parece retirada de um episódio do National Geographic.
Neste terceiro quilómetro percebi que o objetivo que tinha para a corrida não era possível. O Endomondo piorava as coisas atribuindo-me 7min30s. Mais tarde confirmei que não foi bem assim, o GPS não registou corretamente o percurso devido às apertadas curvas da estrada.
A prova é bastante acessível, se retirar-mos os três quilómetros iniciais e uma subida por volta dos 10 quilómetros. A certeza que os quilómetros finais são a descer dá-nos o conforto para enfrentar as subidas que vão surgindo.
Nos quilómetros de descida não consegui o ritmo desejado, talvez por, psicologicamente, saber que não iria conseguir o tempo objetivo. O ritmo de descida andou a cerca de 4m30s/km.
Terminei a prova com 1h29m26s (tempo oficial), cerca de dez minutos acima do objetivo... Em termos classificativos, fiquei no lugar 380 em 898 participantes. Acima do meio da tabela como eu gosto...
Depois de uma bebida de recuperação, da Gold Nutrition (oferecida pela organização), e de uma banana, só sobrou tempo de fazer os alongamentos e entrar no autocarro que me levaria até à Azóia para reunir a claque de apoio...
Pelo entusiasmo dos atletas nesta prova, penso que a organização (Câmara Municipal de Sintra) irá fazer um esforço para pôr a crise de lado e continuar a proporcionar-nos uma excelente manhã pelas estradas da serra de Sintra e do Cabo da Roca.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Corrida de Montanha, fui tomar um café a Arruda
No dia em que os meteorologistas prometiam descida acentuada de temperatura, acompanhada de chuva e vento moderado, decidi fazer uma corrida de montanha até Arruda dos Vinhos para tomar um café e um pastel de Natal. Consegui, bastou acreditar. Não choveu, levei roupa a mais e o café afinal foi uma meia-de-leite.
A organização desta corrida esteve muito bem, percurso muito bom (apesar das subidas, mas estava lá para isso) com um misto de estrada e trilhos e abastecimentos nos locais certos. Bastava esticar um braço e tinha água, esticava o outro e tinha uma barrita ou um gel. A água levei-a à cintura e as barras num bolsos das calças... Organizo-me mesmo bem.
A corrida foi solitária, duas horas em que se pensa em muita coisa menos na corrida em si (exceto nas subidas). A liberdade de correr na montanha e escolher o nosso caminho é uma maravilha neste desporto. Como as pernas aguentaram o "esticão", qualquer dia volto a repetir o destino mas com muito mais trilhos pois eu sei onde estão... A distância aumentará um pouco e a dificuldade também o que melhora o desafio.
A organização desta corrida esteve muito bem, percurso muito bom (apesar das subidas, mas estava lá para isso) com um misto de estrada e trilhos e abastecimentos nos locais certos. Bastava esticar um braço e tinha água, esticava o outro e tinha uma barrita ou um gel. A água levei-a à cintura e as barras num bolsos das calças... Organizo-me mesmo bem.
A corrida foi solitária, duas horas em que se pensa em muita coisa menos na corrida em si (exceto nas subidas). A liberdade de correr na montanha e escolher o nosso caminho é uma maravilha neste desporto. Como as pernas aguentaram o "esticão", qualquer dia volto a repetir o destino mas com muito mais trilhos pois eu sei onde estão... A distância aumentará um pouco e a dificuldade também o que melhora o desafio.
sábado, 29 de dezembro de 2012
São Silvestre de Lisboa
Este ano fui experimentar uma corrida São Silvestre, a de Lisboa.
O horário da prova é próximo do meu horário de treino o que poderia ser uma vantagem. Só o frio e a subida do Rossio ao Saldanha me poderiam atrasar...
Cheguei uma hora antes da prova, procurei por caras conhecidas mas não encontrei. Mais fácil foi a minha claque de apoio encontrar o seu atleta e dar os últimos incentivos antes da partida.
Excelente organização, com zonas de partida consoante o ritmo (só não percebi como é que encontrei tanta gente mais lenta que eu no bloco dos sub 40) e um fantástico apoio popular na zona da baixa e avenida da Liberdade.
A partida atrasou um pouco, nada de especial, e arranquei a toda a velocidade tentando não cair. Não foi fácil: por um lado era empurrado por outro tinha de me desviar dos corredores mais lentos. Muitos corredores lentos à frente e os de trás a empurrar, na praça do Rossio abriu-se uma clareira e aí vou eu a 4m12s ao quilómetro. Uau!
Mas o meu ritmo não é esse, fui tentando acalmar. Até porque iria encontrar uma valente subida do Rossio ao Saldanha. Foi precisamente no Rossio que o bandeirinha do 45m me passou para nunca mais o conseguir alcançar, voltei a vê-lo a descer em frente à PT na Fontes Pereira de Melo. Não tinha o objetivo sub 45 mas por momentos pensei ser possível, em 2013 é que é!
A subida custou, custa a todos, mas vinguei-me e compensei, na descida. O último quilómetro foi a 4m05s.
Cheguei à meta com 46m59s, o tempo chip (real) deve ter uns segundos a menos, cerca de dezassete minutos e meio depois do Rui Silva (o vencedor da prova, haja alguém que continue a dar vitórias ao Sporting).
Fui para casa com uma medalha e uma taça do Endomondo para a minha mais rápida corrida de 10kms.
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São Silvestre
domingo, 11 de novembro de 2012
Meia Maratona Internacional da Nazaré
Parece que esta é mãe das meias maratonas em Portugal.
Já conto como foi...
Já conto como foi...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
20 kms de Almeirim
Hoje foi dia de ir até Almeirim e não foi para comer sopa da pedra! Foi para participar na conhecida corrida de estrada organizada pela Associação 20kms de Almeirim.
Uma prova exemplarmente organizada e rica gastronomicamente.
Se calhar não vale a pena falar da corrida, é um pé à frente do outro e repetir o mais rápido possível, falemos então da gastronomia. Ou seja, falemos de pedras na sopa, felizmente não me calhou nenhuma... Deliciosa, maravilhosamente calórica, acompanhada das típicas caralhotas (na minha opinião é pão normalíssimo).
Desportivamente o dia foi positivo, a menina levou o S. a percorrer uma percurso pedestre e eu fui correr 20 quilómetros pelas estradas da região, acompanhado por cerca de 1000 atletas.
Fiz uma corrida certinha, a ritmo constante, tendo conseguido terminar os 20kms em 1h39m49s, correspondente a uma passada inferior a 5 minutos por km. À primeira vista parece ter sido um grande resultado, pessoalmente foi. Mas relativamente aos restantes participantes foi uma bela treta... Falhei um dos objetivos que tenho sempre que é ficar classificado do meio da tabela para cima, o que não foi o caso!
Resumo:
Tempo oficial: 1h39m49s
Classificação geral: 542/870
Classificação escalão: 205/284
Curiosidade: correram melhor que eu: 6 homens com mais de 65 (sim, sessenta e cinco) anos!
Com um treinador a crescer, só tenho de melhor as minhas prestações...
Uma prova exemplarmente organizada e rica gastronomicamente.
Se calhar não vale a pena falar da corrida, é um pé à frente do outro e repetir o mais rápido possível, falemos então da gastronomia. Ou seja, falemos de pedras na sopa, felizmente não me calhou nenhuma... Deliciosa, maravilhosamente calórica, acompanhada das típicas caralhotas (na minha opinião é pão normalíssimo).
Desportivamente o dia foi positivo, a menina levou o S. a percorrer uma percurso pedestre e eu fui correr 20 quilómetros pelas estradas da região, acompanhado por cerca de 1000 atletas.
Fiz uma corrida certinha, a ritmo constante, tendo conseguido terminar os 20kms em 1h39m49s, correspondente a uma passada inferior a 5 minutos por km. À primeira vista parece ter sido um grande resultado, pessoalmente foi. Mas relativamente aos restantes participantes foi uma bela treta... Falhei um dos objetivos que tenho sempre que é ficar classificado do meio da tabela para cima, o que não foi o caso!
Resumo:
Tempo oficial: 1h39m49s
Classificação geral: 542/870
Classificação escalão: 205/284
Curiosidade: correram melhor que eu: 6 homens com mais de 65 (sim, sessenta e cinco) anos!
Com um treinador a crescer, só tenho de melhor as minhas prestações...
domingo, 30 de setembro de 2012
Vodafone Meia Maratona RTP Rock 'n' Roll
Já sou, oficialmente, metade de alguma coisa. Concluí a Vodafone Meia Maratona RTP Rock 'n' Roll.
Tempo Final 1:55:07
Tempo Chip 1:54:47
Classificação por Escalão (M35): 359/796
Classificação Geral: 2027/4894
Não foi a prestação pretendida, foi a possível. Mas ficou o gosto pela experiência, a repetir.
Tempo Final 1:55:07
Tempo Chip 1:54:47
Classificação por Escalão (M35): 359/796
Classificação Geral: 2027/4894
Não foi a prestação pretendida, foi a possível. Mas ficou o gosto pela experiência, a repetir.
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